1 de outubro de 2015

libera nos, Domine





ave maria gratia plena dominus tecum 
há tinta fresca na parede 
et benedictus frutus ventris tui, Sacis
fumando no telhado
ora pro nobis pecatoribus
excomungados
exorcizados
os sete demônios vivos e suas línguas tecendo letras
nunc, et in hora mortis nostrae
amen




12 de junho de 2015




das sensações que alma carrega, sinto vontade de chover sobre a lua. de embebedar os copos com nuvens de fogo. mas sou abismo e me perco nas fendas de mim. os olhos fechados buscam silêncio. profunda, a carícia da mãe no ventre interessante. eu engoli a lua e agora chovo. toda licença aos deuses que criam mundos.



29 de março de 2015




encontrei uma alma enforcada no galho de uma árvore. desnuda de corpo, ela olhava para dentro de si e via tremer o esqueleto. um xilofone de costelas úmidas a embalar a dança das folhas. sentei-me para contemplar. ao dar por mim, era eu a corda no meu próprio pescoço, fazendo estrebuchar as pernas de minha alma. enquanto isso, o esqueleto corria para o conforto das vísceras ainda quentes. nascia assim, uma nova sinfonia.



24 de julho de 2014




queria voltar para a Literatura
onde eu pudesse comprar livros novamente
- nem roubado os tenho -
onde amores fossem possíveis
em cores outras ao fim do arco-íris
mas hoje os escritores estão mortos
há coroa de flores e velas acesas
não as velas chorosas da escrivaninha dos poetas
não as flores da madrugada na porta das amadas
tudo sobre o esquife
para onde vai, Literatura?

- sequer na velha gaveta a encontro -