24 de julho de 2014
queria voltar para a Literatura
onde eu pudesse comprar livros novamente
- nem roubado os tenho -
onde amores fossem possíveis
em cores outras ao fim do arco-íris
mas hoje os escritores estão mortos
há coroa de flores e velas acesas
não as velas chorosas da escrivaninha dos poetas
não as flores da madrugada na porta das amadas
tudo sobre o esquife
para onde vai, Literatura?
- sequer na velha gaveta a encontro -
28 de novembro de 2013
o que está
o que está é isto: eu ridículo, criança medrosa e egoísta, dona das aparências fúteis que me tornei - sem querer?! - que a vida não vá lá às pampas, é claro... dói-me esta ausência presente e falta-me o colorido da rosa - airosa, menininha dançando valsa na lembrança. o que eu sinto, falta. e mais grave é o meu pecado por querer e me quedar vassalo da inércia que me tolheu as vidas. ah, legado! os meus olhos sorriram quando a rosa multicor traçou um broto em esperança. mas vã foi a minha batalha... e eu, espírito, estou cansado. eu, corpo dorido, surrado de vida e sol, me cansei. e durmo, agora, com a fé que te alimenta sob o travesseiro. tudo está onde sempre esteve, cá no combio das cordas. os traços na gaveta. na rede. o riso na moldura. e isto que está não é.
9 de maio de 2013
Quando criança, queria ser engenheira ou médica, arquiteta e veterinária, advogada, publicitária e bibliotecária. Virei puta.
7 de abril de 2013
trovoada I
canções atravessadas por um cacto na garganta. o céu troveja seu sobejo encanto sob os ombros do mundo. a luz se une à sobra num barroco jogo de incertezas divinas. rasgando o céu, descem ao crepúsculo as andorinhas. na barriga de deus, o tempo e todo concreto por bater.
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