28 de junho de 2011

restolhos





cá estou, sem mãos ou pernas. trago, cravados na face, os estilhaços dos signos. a poesia se faz densa. quente. lenta. gota a gota, sob o sol do meio dia. cá estou, embevecido pelos olhos de quem não sei. silencio para que fale o que habita em mim. o estar do Ser que foi. ao objeto, o devir de todas as infringências disfarçadas nos restolhos da ação: poesia? não. o sangue próprio das mãos movendo as pernas.




21 de junho de 2011





sonho o Ser
tão
ar
ido

seco

ar
duro
árduo
duo sertão nos nós da caatinga

- e me derreto em chuva de Poesia que no gesto leva o leve da alma -

Sertão
tão Ser
mente que teu Ser é tão só meu
Ser teu

pesadelo




20 de junho de 2011




valsinha bailando nos dedos
na janela
há flor
bem-te-vi
oh flor, os dedos
valsando em esplendor




19 de junho de 2011




verte do teu sexo a água-viva
e dura o infinito do instante
na língua minha
a poesia que transborda o Ser
em silêncio
versos sem rima perdidos no escuro