Hoje foram retiradas as pilastras que sustentavam o pouco juízo que eu tinha.
Por ora, tudo é dor.
19 de fevereiro de 2009
18 de fevereiro de 2009
15 de fevereiro de 2009
Pequeno conto absurdo de terror
de Efraïn Bacuri
- Venha, dá-me tua mão que não há tempo mais. Quanto ainda pretendes caminhar em volta da muralha até encontrar a saída? Dá-me a mão. Não vês que, sozinho, não tens chance alguma de sair do labirinto?
- Há saída. Não me convencerás do contrário. Estou farto de tuas ponderações abstratas, teus solilóquios, teu hálito inóspito a cantar-me cantigas de ninar. Deixa-me volver do ponto em que parti e verás, tanto quanto eu, que a saída esteve todo o tempo bem embaixo de meu nariz...
- Dorme, menino, do meu coração...
- Cala-te! Por Deus ou pelo Diabo, cala-te! Não vês que assim não penso?
Os sussurros transformaram-se em gritos. Logo que o eco se exauriu por entre as paredes, o olhar de ambos se encontrou. Um efêmero silêncio soberanamente se fez presente e os raios de luz tremularam à medida em que as paredes ganhavam vida.
- Corra. É tudo que podes fazer agora, menino.
- Vens comigo?
A criatura hesitou. Suas asas vacilaram e pareceu perder altura. Logo se recompôs e, com um malicioso sorriso no canto dos lábios, pôs-se a cantar:
- Dorme, menino, do meu coração...
O relampejo cresceu freneticamente ao som das paredes de pedra que se moviam. A pobre criança correu gritando, sem saber o rumo certo pra onde iria. Deparou-se com um muro. Não teve tempo de virar para correr. De chofre, outra parede alva viera por tras, prensando-o por todo o sempre.
De repente, o silêncio gritou novamente e a luz estabilizou-se numa tonalidade ambar. Um leve ruído brotava doce e lento. Era o bater de asas de uma criatura que sadicamente cantava:
- Dorme, menino, do meu coração....
- Venha, dá-me tua mão que não há tempo mais. Quanto ainda pretendes caminhar em volta da muralha até encontrar a saída? Dá-me a mão. Não vês que, sozinho, não tens chance alguma de sair do labirinto?
- Há saída. Não me convencerás do contrário. Estou farto de tuas ponderações abstratas, teus solilóquios, teu hálito inóspito a cantar-me cantigas de ninar. Deixa-me volver do ponto em que parti e verás, tanto quanto eu, que a saída esteve todo o tempo bem embaixo de meu nariz...
- Dorme, menino, do meu coração...
- Cala-te! Por Deus ou pelo Diabo, cala-te! Não vês que assim não penso?
Os sussurros transformaram-se em gritos. Logo que o eco se exauriu por entre as paredes, o olhar de ambos se encontrou. Um efêmero silêncio soberanamente se fez presente e os raios de luz tremularam à medida em que as paredes ganhavam vida.
- Corra. É tudo que podes fazer agora, menino.
- Vens comigo?
A criatura hesitou. Suas asas vacilaram e pareceu perder altura. Logo se recompôs e, com um malicioso sorriso no canto dos lábios, pôs-se a cantar:
- Dorme, menino, do meu coração...
O relampejo cresceu freneticamente ao som das paredes de pedra que se moviam. A pobre criança correu gritando, sem saber o rumo certo pra onde iria. Deparou-se com um muro. Não teve tempo de virar para correr. De chofre, outra parede alva viera por tras, prensando-o por todo o sempre.
De repente, o silêncio gritou novamente e a luz estabilizou-se numa tonalidade ambar. Um leve ruído brotava doce e lento. Era o bater de asas de uma criatura que sadicamente cantava:
- Dorme, menino, do meu coração....
13 de fevereiro de 2009
Namorados
de Bandeira, o Manu.
O rapaz chegou-se para junto da moça e disse:
— Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com a sua cara.
A moça olhou de lado e esperou.
— Você não sabe quando a gente é criança e de repente vê uma lagarta listada?
A moça se lembrava:
— A gente fica olhando...
A meninice brincou de novo nos olhos dela.
O rapaz prosseguiu com muita doçura:
— Antônia, você parece uma lagarta listada.
A moça arregalou os olhos, fez exclamações.
O rapaz concluiu:
— Antônia, você é engraçada! Você parece louca.
O rapaz chegou-se para junto da moça e disse:
— Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com a sua cara.
A moça olhou de lado e esperou.
— Você não sabe quando a gente é criança e de repente vê uma lagarta listada?
A moça se lembrava:
— A gente fica olhando...
A meninice brincou de novo nos olhos dela.
O rapaz prosseguiu com muita doçura:
— Antônia, você parece uma lagarta listada.
A moça arregalou os olhos, fez exclamações.
O rapaz concluiu:
— Antônia, você é engraçada! Você parece louca.
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