19 de fevereiro de 2009

Da situação

Hoje foram retiradas as pilastras que sustentavam o pouco juízo que eu tinha.
Por ora, tudo é dor.

15 de fevereiro de 2009

Pequeno conto absurdo de terror

de Efraïn Bacuri

- Venha, dá-me tua mão que não há tempo mais. Quanto ainda pretendes caminhar em volta da muralha até encontrar a saída? Dá-me a mão. Não vês que, sozinho, não tens chance alguma de sair do labirinto?
- Há saída. Não me convencerás do contrário. Estou farto de tuas ponderações abstratas, teus solilóquios, teu hálito inóspito a cantar-me cantigas de ninar. Deixa-me volver do ponto em que parti e verás, tanto quanto eu, que a saída esteve todo o tempo bem embaixo de meu nariz...
- Dorme, menino, do meu coração...
- Cala-te! Por Deus ou pelo Diabo, cala-te! Não vês que assim não penso?
Os sussurros transformaram-se em gritos. Logo que o eco se exauriu por entre as paredes, o olhar de ambos se encontrou. Um efêmero silêncio soberanamente se fez presente e os raios de luz tremularam à medida em que as paredes ganhavam vida.
- Corra. É tudo que podes fazer agora, menino.
- Vens comigo?
A criatura hesitou. Suas asas vacilaram e pareceu perder altura. Logo se recompôs e, com um malicioso sorriso no canto dos lábios, pôs-se a cantar:
- Dorme, menino, do meu coração...
O relampejo cresceu freneticamente ao som das paredes de pedra que se moviam. A pobre criança correu gritando, sem saber o rumo certo pra onde iria. Deparou-se com um muro. Não teve tempo de virar para correr. De chofre, outra parede alva viera por tras, prensando-o por todo o sempre.
De repente, o silêncio gritou novamente e a luz estabilizou-se numa tonalidade ambar. Um leve ruído brotava doce e lento. Era o bater de asas de uma criatura que sadicamente cantava:
- Dorme, menino, do meu coração....

13 de fevereiro de 2009

Namorados

de Bandeira, o Manu.

O rapaz chegou-se para junto da moça e disse:

— Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com a sua cara.

A moça olhou de lado e esperou.
— Você não sabe quando a gente é criança e de repente vê uma lagarta listada?

A moça se lembrava:

— A gente fica olhando...


A meninice brincou de novo nos olhos dela.

O rapaz prosseguiu com muita doçura:

— Antônia, você parece uma lagarta listada.

A moça arregalou os olhos, fez exclamações.


O rapaz concluiu:

— Antônia, você é engraçada! Você parece louca.

10 de fevereiro de 2009

Corazón
escoba
barrio
y otras cositas más
que Carmen no habla en portugués.