23 de julho de 2009
Condenados
22 de julho de 2009
Susto
21 de julho de 2009
Nu
14 de julho de 2009
Mas, como a vida é Vida, e precisa ser vivida em intensidade, num solavanco caímos em ilhas, bússolas desnorteadas... Que fizemos senão errar? Vivemos. Ao modo único e belo de cada poética dissonante que nos tornamos. Vivemos entre porcos e velhas aves de rapina, andamos por caminhos de flor e pedra, e, pelas vicissitudes, firmamo-nos sujeitos implacáveis.
Ontem, o Noroeste tão falado por um velho lobo do mar trouxe o bafejo do perfume doce de outrora. Fui contra o vento para encontrar a fonte. Cheguei ao ponto de não mais senti-lo. Meus olhos buscaram os pés empoeirados e os ombros se encolheram num gesto espontâneo de desilusão. Tanto tempo...
Eis que de chofre você aparece e me deita ao chão, o perfume me invade e, quando os olhos se encontram, a vida renasce. Não há mito, crença ou julgo. Tornamo-nos Vida enfim vivida. Do inesperado encontro, vem o riso, a candura das palavras, o afago que acalenta...
O circulo se fecha e a vida completamente se refaz. Agora é um tempo de ninguém... Um tempo de nós.
12 de julho de 2009
9 de julho de 2009
Quando abri a porta da sala, a solidão dos retratos na parede se juntou à minha, tão imediato quanto os primeiros acordes de uma rapsódia. Os olhares todos miravam a mim e eu via minhas raízes entranhadas naquelas figuras carcomidas pelo tempo, cobertas de poeira, desprovidas da vida que um dia habitou o ser que ora representam.
Os antepassados todos se foram para sob o mármore escuro que recobre o mausoléu familiar. Agora são retratos sozinhos, cobertos do mesmo pó que eu trago em mim. Tenho, também, a solidão árida dessas paredes cobertas de retratos ressequidos e desbotados.
Mas quem somos nós, afinal? Que estranho é este que me sinto? Que moldura me espera para compor a genealogia do clã? Fiz de mim a única família que sou. Fiz de mármore o coração, mas não guardo nele os despojos inúteis dos que um dia estiveram ao meu redor. Minha moldura, de fumaça, poeira e solidão, não tem espaço na parede da sala velha. Também não há parede para o seu retrato.
Hei de ser sempre a memória na gaveta, aquela que está junto à sua representação esquecida, amarelada, insignificante. A tua representação imagística que eu mesmo coloquei ali, na intenção de falsamente me surpreender, quando na procura de um poema velho. Ali também estou: só, tanto quanto você é.
Quando fechei a porta, vieram todas as molduras ao chão. Eu estava virado dentro da gaveta e os seus olhos colados aos meus. Retratos esquecidos, empoeirados, envolvidos pela mesma solidão.
(uma outra versão - ainda não definitiva)
8 de julho de 2009
Os antepassados todos se foram para o mármore escuro que rocobre o mausoleu familiar. Agora são retratos sozinhos, cobertos de pó. Eu mesmo tenho em mim o pó que se tornaram. Tenho em mim a solidão árida dessas paredes cobertas de retratos empoeirados.
Mas quem sou eu, afinal? Que moldura me espera a compor a genealogia do clã? Eu fiz de mim a única família que sou. Fiz de mármore o coração, mas nao guardo nele os despojos inúteis dos que um dia estiveram ao redor de mim. Minha moldura, de fumaça, poeira e solidão não tem espaço na parede da sala velha.
Hei de ser sempre o retrato da gaveta, aquele que está junto ao seu, esquecido, amarelado, insignificante. Ali serei eu, só, tanto quanto você é.
Ao fechar a porta pelas minhas costas, vieram todas as molduras ao chão. Eu estava virado dentro da gaveta e os seus olhos colados aos meus. Sós. Retratos esquecidos.
(não definitivo)